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A retomada dos IPOs 

 

No que depender dos banqueiros de investimento, o consumo de champanhe neste ano irá muito além dos brindes do réveillon. Se em 2018 as taças se levantaram apenas três vezes para comemorar Initial Public Offerings (IPOs, na sigla em inglês), os prognósticos agora são bem melhores. "Esperamos cerca de 15 aberturas de capital para 2019", diz Caio Ibrahim David, que acaba de assumir o comando das operações de atacado do Itaú Unibanco. Renato Ejnisman, diretor executivo do Bradesco, é ainda mais otimista: ele prevê 20 listagens, que podem ocorrer tanto em São Paulo quanto em Nova York. Incluindo-se as ofertas subsequentes ou follow-ons - quando uma companhia já listada oferece mais ações ao mercado -, a projeção de Ejnisman é que o total de operações chegue a 30. "O mercado está começando a se aquecer", diz ele. Segundo o executivo, outra diferença em relação ao ano passado é que agora espera-se mais diversificação, com empresas de vários setores participando.

 Isso representa uma mudança radical em relação aos resultados frustrantes de 2018. Somente o Banco Inter e duas operadoras de planos de saúde (NotreDame Intermédica e Hapvida) concluíram seus IPOs, captando um total de R$ 6,75 bilhões. Os três lançamentos ocorreram quase simultaneamente, em abril. Depois, as incertezas eleitorais diminuíram o apetite ao risco de investidores locais e afastaram os estrangeiros, o que levou pelo menos 13 outras candidatas a desistirem de captar. Foi o caso da Banrisul Cartões, processadora vinculada ao banco estadual gaúcho. O exemplo mais recente foi o do banco mineiro BMG, que interrompeu os trâmites em meados de dezembro passado. Agora, é bastante provável que os desistentes voltem a testar as águas do mercado. O chamariz são as esperanças de privatização e da reforma da Previdência. "Isso deve atrair investidores estrangeiros", diz Glauco Legat, analista-chefe da corretora Necton, que também diz esperar 30 operações neste ano.

 Os executivos de bancos de investimento já preparam listas de nomes. A Previ, que possui 38,2% do capital da Neoenergia, havia tentado vender essa participação por meio de um IPO no fim de 2017. Desistiu devido à falta de demanda, mas já sinalizou que vai tentar de novo ainda no primeiro trimestre. Outra interessada é a Centauro. A rede de varejo dedicada a artigos esportivos visava captar R$ 750 milhões para reformar lojas, reforçar o caixa e pagar dívidas, e chegou a pedir autorização à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para iniciar o processo. Agora, Pedro Zamel, presidente da empresa, não só diz que a operação será concretizada neste ano como também quer elevar o valor da oferta. Daniel Mendez, fundador da empresa de refeições coletivas Sapore, também contempla a hipótese de tocar o sino na Bolsa para acelerar o crescimento de sua rede, caso não consiga costurar a fusão de suas operações com as da International Meal Company, dona das redes Viena e Frango Assado.

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A lista deverá ser encorpada por subsidiárias dos bancos públicos, como Caixa Seguridade e Banco do Brasil Cartões. "O governo vai usar o mercado de capitais para vender partes das estatais", diz Rodolfo Riechert, presidente do banco Brasil Plural. "Devem ser ofertas robustas, e como não há dinheiro infinito no País, o empresário vai ter uma janela neste primeiro semestre para ir à Bolsa. Depois, vão prevalecer as operações do governo", afirma. Segundo Glauco Legat, da Netcon, as gestoras de fundos de private equity também devem agitar o pregão. "Muitas delas estão no momento de vender as companhias em que apostaram anos atrás e captar dinheiro para realizar novos investimentos", afirma Legat. A gestora Vinci, por exemplo, negocia a venda da seguradora Austral e da resseguradora Austral Re. A Advent deve fazer o mesmo com a varejista de materiais de construção gaúcha Quero-Quero. E a Carlyle deve voltar à carga em sua tentativa frustrada de vender a rede de lojas de brinquedos Ri Happy.

 DÍVIDA Um dos termômetros que indica o apetite do mercado por IPOs é o aumento das captações de dívida. "Antes que o mercado para aberturas de capital se aqueça, é comum notarmos um avanço na venda de títulos da dívida, e observamos esse movimento em 2018", diz Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos da SulAmérica. No ano passado, até novembro, foram realizadas 263 emissões de debêntures, que somaram R$ 126 bilhões, avanço de 31% em comparação com o mesmo período de 2017.

 Os follow-ons, que movimentaram parcos R$ 111 milhões em 2018, podem arrecadar R$ 25 bilhões neste ano. No fim de novembro, o conselho de administração da NotreDame Intermédica aprovou a venda de 87 milhões de ações. Pela cotação da quarta-feira 2, isso representa R$ 2,5 bilhões, acrescidos ao captado em abril passado (R$ 2,7 bilhões). A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que detém 50% do capital da Light, pretende vender sua participação e já contratou BTG Pactual, Itaú BBA e Santander para realizar o follow-on nos primeiros meses do ano, em um lançamento que pode movimentar R$ 1,7 bilhão. E deve haver mais. "O total de captações vai depender de quão próximos estivermos de aprovar uma reforma da Previdência que seja crível", diz Ejnisman, do Bradesco.

 

 

 

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