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Menos caixas eletrônicos 

 

Alegando busca demais eficiência, bancos brasileiros decidiram reduzir o número de terminais de autoatendimento próprios e passaram a adotar cada vez mais caixas eletrônicos compartilhados com concorrentes sob o guarda-chuva do Banco24Horas da Tecban. Para o cliente, isso pode se traduzir em oferta de serviços limitada e problemas.

 

A tendência não é recente. O acordo entre as maiores instituições do país para ampliar o compartilhamento de caixas sob a rede 24Horas é de julho de 2014. Desde então, o número de terminais da rede aumentou 25,7%, passando de 16,7 mil para mais de 21 mil.

 

Na outra ponta, os caixas próprios vêm minguando ano após ano -com exceção do Bradesco, que incorporou, em 2015, o HSBC e toda a estrutura do banco, ampliando seus terminais. Antes da aquisição, o banco vinha reduzindo os terminais.

 

Se para os bancos as mudanças fazem sentido ao reduzir os custos operacionais e de manutenção com uma rede própria, para muitos clientes o terminal 24 horas deixa a desejar.

 

É o caso da empresária Flávia Quirino Anastácio, 30. Grávida de sete meses, ela tentou sacar R$ 1.500 no terminal compartilhado.

 

Após receber amensagem "limite excedido", pensou em fracionar a retirada. Conseguiu pegar R$ 1.000, mas não os R$ 500 adicionais.

 

Ao checar o extratomais tarde, viu que o banco considerou que ela havia sacado R$ 1.500. "Liguei primeiro no meu banco, que pediu que eu entrasse em contato com a Tecban. A empresa diz que não há irregularidade. Procurei várias vezes, mas é sempre a mesma resposta", afirma a empresária, que ainda busca resolver o problema.

 

Outros usuários dos caixas compartilhados também reclamam de falta de cédulas e de manutenção.

 

"Eu já tive problema para sacar porque as teclas não funcionavam.

 

Outras vezes, não tinha cédulas", diz o estudante Adolfo Queiroz, 26.

 

Nos terminais 24Horas, só há notas de R$ 20 e de R$ 50.

 

A Febraban, entidade que reúne os bancos, diz em nota que "a redução do número de ATMs [caixas] não representa queda do nível de serviço oferecido" e que o principal canal usado para transações é o mobile banking (34% do total em 2016).

 

São menos alternativas disponíveis 

 

O número de operações disponíveis nesses terminais também é menor do que nos caixas dos bancos.

 

"Eles adotam o processo de utilização sistêmica, escolhendo as 20% principais transações", diz Elias da Silva, presidente da Diebold Nixdorf, que fabrica 1 em cada 2 caixas no País.

 

Um exemplo é a contratação de empréstimo, que não pode ser feita no Banco24Horas. Depósitos e emissão de cheques tampouco estão disponíveis nesses terminais.

 

Se o cliente precisar de operação não disponibilizada no terminal 24 horas, o banco deve oferecer o serviço de alguma forma, diz Livia Coelho, advogada da Proteste, associação de defesa do consumidor.

 

Procurada, a Tecban diz que são "ocorrências pontuais, que são sempre tratadas, caso a caso, com o cliente". "A empresa busca o aprimoramento contínuo dos serviços e da eficiência operacional, a fim de garantir uma excelente experiência do consumidor", afirmou.

 

SAIBA MAIS

» Embora aleguem que há busca

de maior eficiência, os bancos

não escondem que conseguem

assim reduzir seus custos.

» De acordo com eles, a onda de

roubo de caixas eletrônicos não

têm relação com a mudança.

» A falta de cédulas, informam, se

deve a uma disputa jurídica com

empresas de segurança.

» Banco do Brasil, Bradesco,

Caixa, Itaú e Santander

responderam que a rede

24Horas amplia a cobertura e

que, se somada à rede própria, o

total é maior ou igual ao período

pré-2 014.

 

 

 

16/10/2017 - JORNAL DE BRASÍLIA - DF 
 

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