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Tecnologias sociais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Artigo) 

 

Ao declarar e mobilizar líderes mundiais em um propósito permanente de desenvolvimento, a Organização das Nações Unidas direcionou esforços para estimular ações concretas para redução da pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas. A criação de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável se iniciou em 2000, com a declaração dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), que estabeleceu oito diretrizes a serem alcançadas pelos países até 2015.

Segundo a Organização das Nações Unidas, essa mobilização sem precedentes na história, com intervenções específicas, estratégias sólidas, recursos adequados e vontade política, possibilitou progressos inclusive nos países mais pobres. O relatório final sobre a implementação dos ODM indicou que milhões de pessoas deixaram a linha de pobreza, mulheres e meninas foram empoderadas, houve avanços na saúde e no bem-estar geral com a oferta de novas oportunidades para uma vida melhor.

Apesar dos resultados, ainda são necessários muitos esforços. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que culminaram com a elaboração da Agenda 2030, acordada por mais de 170 líderes mundiais em 2015, declaram uma série de diretrizes e metas a serem alcançadas em todo o mundo até 2030. Essa agenda detalha 169 metas direcionadas à redução das desigualdades sociais, com a finalidade de trilhar um futuro resiliente e sustentável para o planeta.

Nesse contexto, as tecnologias sociais constituem-se como alternativas simples, efetivas e podem contribuir para o cumprimento dos desafios propostos. São produtos, metodologias ou técnicas que representam soluções para demandas de diversas áreas, como alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde e meio ambiente. Por serem muitas vezes tão inovadoras e tão simples, nem sempre se reconhece a elas o status de tecnologia. Um exemplo amplamente conhecido e difundido é o soro caseiro, uma tecnologia social de baixo custo, ampla escala e eficácia comprovada.

As tecnologias sociais diferem-se das convencionais na medida em que estão fundamentadas em uma política de desenvolvimento que considera as dimensões econômica, científica e tecnológica, mas também humana, ambiental e cultural. Além disso, pressupõe-se que sejam estruturadas em modelos flexíveis, pois nem tudo que é viável em um lugar pode ser, da mesma forma, em outro. Adaptações inteligentes e espírito inovador explicam por que se fala em reaplicação e não em replicação de tecnologias sociais. E, nesse novo conceito de padrão tecnológico, o mais importante para a reaplicação pode ser, por exemplo, um programa de capacitação e organização social, e não necessariamente um componente mecânico ou eletrônico.

No Brasil, a disseminação de tecnologias sociais tem se mostrado como alternativa efetiva para a construção de políticas públicas com forte impacto na melhoria de vida das pessoas. Isso porque, segundo o próprio conceito, as soluções para os problemas sociais seguem o modelo "de baixo para cima" de implementação de políticas governamentais. Ou seja, pressupõe-se que haja a participação e o empoderamento das comunidades, com seus saberes, práticas e especificidades, na concepção e gestão de instrumentos e metodologias capazes de melhorar suas condições de vida. Um caso emblemático é o das cisternas para captação e armazenamento de água de chuva para o consumo e produção de alimentos. Essa tecnologia social, ao se tornar uma política pública, trouxe ao semiárido brasileiro a esperança de uma vida digna e de condições básicas para conviver com os aspectos extremos da estiagem, que têm sido muito agravados nos últimos seis anos.

Nesse sentido, estudos destacam a importância do envolvimento de diversos atores sociais para que essas iniciativas ganhem visibilidade e escala. O investimento social de empresas, o apoio de entidades do terceiro setor, da academia, governos e, finalmente, da sociedade é crucial para que se possa construir um novo modelo de desenvolvimento, contribuindo com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e, principalmente, para a erradicação da pobreza em todas as suas dimensões.

 

» ASCLEPIUS RAMATIZ - Presidente da Fundação Banco do Brasil

 

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